A dança da vida
Duas borboletas brincam no ar
Voam alegremente
E se entrelaçam numa dança tridimensional harmônica
Em contato com o sol suas asas brilham
É como uma discoteca dançante
A luz é filtrada pelas folhas das árvores
E encosta nelas com a mais linda delicadeza
O vento também faz parte desse lindo espetáculo
Conduz os movimentos e manipula as asas gloriosamente
As borboletas dançam com a vida
Apaixonadas
Brigam e acasalam entre um movimento e outro
Batem as asas
E vivem
Vivem no sopro da vida
Por meio dessa dança que é intensa
Vão voando, e o vento conduzindo
Caminham até um paredão de luz
No campo aberto
Agora, sem o filtro das folhas, elas ficam expostas
E gloriosamente iluminam o terreno em conjunto ao sol
Continuam dançando e sendo direcionadas pelo vento
De repente um trator atropela seus movimentos e esmaga uma delas brutalmente
O que sobra dessa vida é só uma gosma no parabrisa, que mais tardar é limpa com um esguicho de água e a paleta do automóvel
A outra borboleta que caiu atônita no chão seguiu paralisada
Entretanto o vento auxilia sua volta para debaixo das árvores
Ela continua a bater suas asas, que agora são pretas, vivamente
Ela ainda vive
Na floresta, ao se deparar com outras borboletas
Se faz bem vinda
E volta a dançar
Só que dessa vez, sozinha
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